Cigarro: livre-se já!
A consciência antitabagista no Brasil vem crescendo nos últimos anos. A administração de novos medicamentos e o acesso às informações têm ajudado bastante neste sentido.
A consciência antitabagista no Brasil vem crescendo nos últimos anos. A administração de novos medicamentos e o acesso às informações têm ajudado bastante neste sentido.
Entretanto, é preciso que os cirurgiões-dentistas façam reciclagem científica constantemente e tomem cuidado ao escolher o local para a realização do aperfeiçoamento.
Pelo menos, esta é a opinião de Artur Cerri, mestre e doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e diretor da Escola de Aperfeiçoamento Profissional (EAP) da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD). Ele também é responsável pela coordenação da Escola, que oferece cursos em todas as áreas da Odontologia.
Dono de um currículo invejável é ainda presidente da Sociedade Paulista de Estomalogia e Câncer Bucal. Segundo o especialista, o fumo mais cedo ou mais tarde danificará os dentes, prejudicando não só a saúde bucal, mas outros órgãos do corpo, podendo levar o fumante à morte.
Na EAP da APCD, percebe-se que as dúvidas mais freqüentes dos cirurgiões-dentistas são sobre câncer bucal. Para dirimí-las, ministra-se uma regra bem simples e eficaz no diagnóstico precoce de qualquer doença, incluindo o câncer. “Toda a lesão que não apresente perspectivas de melhora num prazo de 15 dias deve ser biopsiada, ou seja, um fragmento da lesão deve ser removido e analisado”, revela Cerri. Nota-se, ainda, que infelizmente os cirurgiões-dentistas não têm o hábito de realizar a biópsia rotineiramente. A falta de um diagnóstico precoce aumenta os casos de morbidade e mortalidade dos pacientes.
Invariavelmente a nicotina impregna e escurece os dentes, compromete a estética, facilita a aderência de bactérias nos mesmos e, como conseqüência, causa o mau hálito, o aparecimento de gengivites, além de cárie e perda precoce dos dentes. Este último dado é bastante preocupante, uma vez que no Brasil 20% da população adulta perde os dentes prematuramente. E a perda de um único dente compromete não apenas a estética como também a mastigação e a digestão. Como se isso não bastasse, fica muito mais caro a qualquer paciente reparar que prevenir.
No País existem ainda mais de um bilhão de dentes cariados. “A situação tem melhorado com a fluoretação da água e outras medidas, mas ainda está longe do ideal. Outro dado que chama a atenção é que apenas 30% da população têm escova, e a utilização do fio dental no Brasil é pouco explorada”, diz Cerri.
Doenças bucais e o cigarro
Independente da quantidade de cigarros tragados, quem fuma está sujeito a uma série de doenças. Para Ricardo Vieira Garcia, periodontista e assistente-doutor do Curso de Especialização em Implantodontia da Universidade de Guarulhos (UNG), o fumo é considerado fator de risco para o desenvolvimento de doenças periodontais. “Para citar um exemplo, a ação das substâncias tóxicas da fumaça promove vaso constrição periférica gengival, inibe as respostas celulares e pode causar necrose do tecido local”.
Outros problemas periodontais são o massacramento ou, em casos mais graves, ausência dos sinais clínicos de sangramento e rubor gengival. A progressão e severidade da doença em fumantes. São observadas, ainda, perdas ósseas alveolares, aumento da profundidade de sondagem, mobilidade dentária e doenças periodontais necrossantes.
Além dos problemas gengivais e periodontais já enfocados, o fumo é um fator de predisposição para outras doenças consideradas cancerígenas, como leucoplasia (placa branca aderida na mucosa bucal) e a eritroplasia (mancha avermelhada indolor na mucosa bucal), que aumentam as chances de aparecimento do câncer bucal.
Para Francisco Pacca, mestre e doutor em Diagnóstico Bucal pela Universidade de São Paulo (USP), o grande risco do hábito de fumar é o aparecimento do câncer de boca. “A fumaça do cigarro contém mais de 4700 substâncias tóxicas, sendo 60 delas comprovadamente cancerígenas. Existem trabalhos científicos que descrevem que os fumantes têm de 15 a 150 vezes mais chance de aparecimento de câncer bucal”, informa.
No Brasil os dados são alarmantes. Para se ter uma idéia, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de boca está entre os dez tipos de cânceres mais freqüentes na população brasileira, e nos últimos vinte anos, a doença aumentou 35% no país.
Aproximadamente 10% de todos os cânceres estão na boca. E mais: 85% dos casos diagnosticados se encontram em fase avançada. De cada dez casos de câncer bucal, nove estão relacionados ao fumo ou ao álcool. Quando pessoa fuma e bebe as possibilidades de contrair câncer aumentam 141 vezes.
Alerta Geral
Os professores são unânimes em dizer que, para que isso ocorra, os cirurgiões-dentistas devem orientar seus pacientes sobre o risco do fumo. Devem examinar detalhadamente toda a cavidade bucal em busca de indícios da malignidade e, em especial nos pacientes fumantes. Além disso, devem atualizar constantemente.
Vale lembrar que as doenças consideradas cancerígenas são traiçoeiras, assintomáticas e podem passar despercebidas pelos pacientes e mesmo pelos dentistas.
Diante de qualquer suspeita, a biopsia deve ser realizada. Os indícios da doença incluem placas brancas e avermelhadas em qualquer região bucal, independente da presença de dor.
Os dentistas devem incentivar e orientar os pacientes à realização do auto-exame periodicamente. A pessoa deve ficar na frente do espelho e examinar todas as estruturas bucais. Se o câncer for diagnosticado na fase inicial as chances de cura da doença chegam a 100%.
Em alguns casos, as doenças bucais causadas pelo fumo podem ser revertidas. São exemplos, a estomatite nicotínica (manchas escuras no palato duro) e a queratose reacional, caracterizada por uma placa branca indolor localizada na boca e de caráter reversível.
O curso de especialização em Estomatologia da EAP-APCD, coordenado pelo Dr. Silvio Boraks, atende todas as terças-feiras pacientes com doenças bucais, inclusive aqueles casos em que há suspeita de câncer. O Atendimento é gratuito.
Porque é difícil parar
“Quem fuma não sabe que recebe impactos cerebrais de nicotina e o cérebro dos viciados tem grande número de receptores que dependem da droga para funcionar bem”, revela a psiquiatra e coordenadora do GAT – Grupo de Apoio ao Tabagista, Célia Lídia da Costa do Hospital A. C. Camargo de São Paulo.
O fumante de 20 cigarros diários recebe mais de 70 mil impactos cerebrais de nicotina/ano. Esta substância atinge o cérebro em menos de dez segundos e libera endorfinas, responsáveis pelas sensações de prazer. Por isso é tão difícil parar de fumar. As atividades físicas geram as mesmas sensações da nicotina. O diferencial é que os exercícios trazem benefícios à saúde.
Combater o vício requer muita determinação. Todo fumante já tentou parar de fumar ou pelo menos gostaria d parar. A boa notícia é que o consumo de cigarro diminuiu nos últimos anos em 32%. Se você quer parar de fumar ou conhece alguém que quer engordar essa porcentagem, aqui vão algumas dicas.
• Em primeiro lugar, é importante que o fumante saiba os malefícios do fumo, portanto, oriente seu paciente nesse sentido.
• Quem deseja parar de fumar, muitas vezes não consegue por conta própria. Então, procure ajuda médica, de psicólogos ou solicite auxílio a entidades voltadas para o assunto.
• O hospital A. C. Camargo atende gratuitamente quem pretende para de fumar. Basta procurar o Grupo de Apoio ao Tabagista (GAT) para ter orientação de forma personalizada. Os grupos são liderados por psicólogos com no máximo 15 pessoas.
• Existem outros grupos que ajudam a deixar de lado o cigarro. Entre na rede e veja www.pareidefumar.cjb.net e www.fumarnuncamais.com.br
• A acunputura, técnica de medicina tradicional chinesa, é uma técnica milenar que pode ser eficaz no combate ao tabagismo.
• Além de desestimular o fumante, a água ajuda a eliminar de forma natural os efeitos da síndrome e dependência da nicotina. Tome bastante água.
• Prefira alimentos que auxiliem na limpeza da sujeira do organismo causada pelo cigarro: maçã, cenoura, laranja, alho, acerola, azeitona, noz, castanha, abacates, arroz, aveia, pão integral são alguns.






