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Células-tronco: A odontologia do futuro

Escrito por Administrator on .

Células-tronco são células que têm a capacidade de se diferenciarem em diferentes teci­dos humanos, ou seja, são células ca­pazes de se multiplicarem e se diferen­ciarem para formar tecidos. As células-tronco podem ser do tipo totipotentes ou embrionárias, que con­seguem dar origem a qualquer uma das 216 células que formam o corpo huma­no; pluripotentes, que conseguem dife­renciar-se na maioria dos tecidos huma­nos e as multipotentes que conseguem diferenciar-se em apenas alguns teci­dos'''.

Células-tronco são células que têm a capacidade de se diferenciarem em diferentes teci­dos humanos, ou seja, são células ca­pazes de se multiplicarem e se diferen­ciarem para formar tecidos. As células-tronco podem ser do tipo totipotentes ou embrionárias, que con­seguem dar origem a qualquer uma das 216 células que formam o corpo huma­no; pluripotentes, que conseguem dife­renciar-se na maioria dos tecidos huma­nos e as multipotentes que conseguem diferenciar-se em apenas alguns teci­dos'''.

Sua utilização com fins terapêuticos pode representar a espe­rança para o tratamento de várias doen­ças, para pacientes que sofreram lesões incapacitantes da medula espinhal e per­deram seus movimentos. Mayana Zatz', em suas pesquisas, utiliza células-tron­co do cordão umbilical e as cultiva junto com células musculares, objetivando sua diferenciação em músculo, o que poderia resultar em terapia para algu­mas doenças neuromusculares. Há pessoas que nascem normais, mas a partir de determinada idade começam a perder musculatura por defeito do mús­culo ou da sua inervação. Nas formas mais graves, a doença acomete meni­nos de 10 anos que perdem a massa muscular e terminam numa cadeira de rodas. O objetivo da pesquisa é usar as células-tronco para que se diferenciem em músculo e substituam o tecido perdi­do (de certa forma, um tipo de transplan­te).

Ao controlar esse processo de di­ferenciação poder-se-á elaborar, a partir de células-tronco embrionárias cultiva­das, os mais diferentes tipos celulares, abrindo a possibilidade de construir teci­dos e órgãos in vitro, na placa de cultu­ra, tornando viável a chamada bioengenharia. Na medicina são várias as possibilidades que se apresentam, como por exemplo, o uso de células-tronco como terapia em lesõescardiovasculares.

Células-tronco, definidas como células clonogênicas capazes de auto-renovação e diferenciação em muitas linhagens, podem ser isoladas de vári­os tecidos incluindo medula óssea, teci­do neural, pele, retina e epitélio odontogênico. Gronthos et ar identifi­caram uma população de prováveis células-tronco pós-natal na polpa dentária humana. A característica mais importan­te dessas células é sua habilidade em regenerar tecido com arquitetura similar ao complexo dentino-pulpar. composto de matriz mineralizada, com túbulos ao redor de odontoblastos, tecido conjunti­vo fibroso. contendo vasos num arranjo semelhante ao encontrado na polpa dentária.

Quais seriam as indicações do uso de células tronco na odontologia: elas seriam a solução para a perda dentária? Impediriam a perda óssea? Poder-se-ia pensar, de forma futurista, ao visitar o dentista, encomendar um dente? Para Paul Sharpe, do Kings College de Lon­dres, essa visão futurista pode não de­morar muito. Talvez dentro de dez anos o paciente ao se dirigir a um consultório pode extrair algumas células que, traba­lhadas por engenharia genética, serão induzidas a formar um novo dente. A engenharia tecidual envolvendo células-tronco, recapitulando o meio ambiente embrionário, demonstra que células-tron­co adultas, de origem odontogênica ou não. podem contribuir para a formação de dentes em condições apropriadas.

Criar um dente a partir de células-tronco é hoje, realidade em âmbito ex­perimental. Pam Yelick e Jay Vacantes, do Instituto Forsyth, de Boston, conse­guiram gerar, com sucesso, pequenos dentes que continham estruturas epiteliais e mesenquimais. Esse trabalho contou com a participação de pesquisadores brasileiros (Duaiiibi, MT e Duailibi, SE).

Mary MacDougall cultivou célu­las epiteliais de dentes de ratos associa­das com células da polpa dentária e ob­teve estruturas de dentina e esmalte. O objetivo de MacDougall, no entanto, é induzir dentes a crescer, do zero, dentro da gengiva. Ao estudar o que acontece na displasia cleidocraniana, que se ca­racteriza entre outros sinais, pela pre­sença de dentes supranumerádos e está relacionada a mutação do gene RUNX2, sua equipe procura desvendar o pro­cesso de deflagração do desenvolvimen­to dentário. Esse estudo sugere que o RUNX2 está associado na diferencia­ção das células odontogênicas e ósse­as e no controle do crescimento celular durante o desenvolvimento dentário. Mary MacDougall estuda a odontogênese, seus processos normais e suas alterações do desenvolvimento e mantém estreita colaboração com o curso de Odontologia da UnB.

As dificuldades na criação dos dentes por meio de células-tronco são muitas porque os processos biológicos envolvidos na odontogênese são extre­mamente complexos. O desenvolvi­mento dentário é dependente de interações recíprocas epitélio­mesênquima, que resultam em determi­nação, diferenciação e organização dos tecidos odontogênicos. Múltiplas molé­culas de sinalização são implicadas, como as BMPs, FGF5, Shh e Wnt. Como as células-tronco adultas são altamentes plásticas e multipotentes elas podem ser reprogramadas para partici­par da formação de dentes (Zhang, YD°).

A regeneração do complexo dentina-polpa, por exemplo, é resultado dos avanços na terapia pulpar com cé­lulas-tronco. Em estudos pré-clínicos pode-se induzir, usando células-tronco em um molde. a regeneração biológica natural. Os tecidos pulpares contém cé­lulas progenitoras potencialmente capa­zes de diferenciar em odontoblastos em resposta a BMPs (bone morphogenetic protein) e assim, pode-se pensar em duas estratégias para regenerara dentina.

Na primeira, BMPs são aplicadas dire­tamente em polpas amputadas e na se­gunda as células-tronco do tecido pulpar são isoladas, induzidas a se diferenciar em odontoblastos e, posteriormente, faz-se o transplante autógeno. Esses pon­tos experimentais podem ser úteis na endodontia do futuro (Nakashima, Nakashima). Da mesma forma, um estudo demonstrou que células-tronco adultas podem ser recuperadas de liga­mento periodontal humano providenci­ando uma abordagem clínica para utili­zação posterior em regeneração tecidual (Seo).

A substituição de dentes perdidos pela engenharia tecidual em humanos ainda está em um estágio inicial, caro e difícil de reproduzir. Entretanto é uma real possibilidade (Modino).

Na nossa realidade cárie, pulpites e periapicopatias são as principais cau­sas da perda dentária. Há uma enorme demanda por serviços odontológicos para uma parcela significativa da popu­lação brasileira. Para mudar essa reali­dade é necessário repensar o ensino odontológico, que precisa se adaptar aos novos conceitos, às inovações científi­cas, valorizando o ensino da ciência básica que permite abordar assuntos como célula-tronco, biologia molecular e etc, como ferramentas para o atendimento clínico, visto que o modelo de atenção clínica baseado unicamente em procedi­mentos restauradores fracassou. O en­sino de odontologia deve ter como obje­tivo a formação de um profissional generalista, com sólidos conhecimentos técnicos-científicos, humanísticos e éti­cos, orientado para a promoção de saú­de e a prevenção de doenças bucais prevalentes, sem esquecer da capaci­dade de apreender as inovações tecnológicas, como lidar com as célu­las-tronco.

Diante de tantos caminhos é preci­so perguntar: iremos conseguir implan­tar brotos dentários? Será o fim dos im­plantes? Teremos uma terceira dentição?